quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O que fazer com 119 milhões de reais...

Estou verde de inveja desde quarta da semana passada do carinha gaucho que ganhou sozinho na sena 119 milhões.
E em conversas esses dias eu fiquei pensando nisso, no que fazer com esse montante.
Claro que primeiramente eu ia ajeitar os meus. E eu tenho tantos pra ajeitar. Tenho amigas tão batalhadoras com as quais a sorte vem sendo tão econômica.
Eu não tenho muito o que reclamar, não. Sempre tive respaldo, encontrei uma área que me agrada e tenho um namorado maravilhoso que embarca na minha.
Mas, sinceramente, eu acho que seria incapaz de gastar esse montante só comigo e com os meus.
Fiquei pensando também que ninguém ia depender de eu ajeitar pra morrer, então não precisaria ter pressa, ia fazer mês a mês, com os rendimentos a poupança.
Mas ai é dinheiro demais... então, eu começaria lançando uma campanha, um mês em cada estado (depois de ajeitar os meus e ainda com os rendimentos da poupança): trocar 10 kg de lixo (plásticos, papéis, metais, etc) coletado nas ruas (e com referência de pelo menos um lugar onde foi coletado esse lixo, porque a finalidade é limpar as vias públicas) por R$ 5,00 (cinco reais), podendo chegar até R$200,00 (duzentos reais) por CPF. A idéia é incentivar o povo a tirar o lixo das ruas, e de preferência não mais jogá-lo lá, seja pra ter um ambiente mais limpo, seja pra trocar por dinheiro. E levando em consideração que não existe consciência ecológica suficiente para que a troca seja por um ambiente limpo (visto que as cidades são verdadeiros esgotos a céu aberto), e que o povo só se mexe quando afeta o bolso, então, que seja assim.
Claro que com isso eu também teria que montar um grande esquema de posto de trocas (coleta) e reciclagem. Mas enfim, com 119 milhões não deve ser tão difícil.
E eu já percebi que o brasileiro precisa de incentivo e de exemplo, e entenda incentivo como dinheiro, o povo só se move na base do dinheiro, então, após um mês (em conjunto com a quantidade x do rendimento) eu iria pra outro estado (claro que eu tentaria fazer um convênio com o governo pra campanhas de conscientização da população com relação aos lixos nas ruas e também pra durante um tempo continuar com a parte de incentivos ao povo). Esquema corrente do bem, entende? Só que pela limpeza do ambiente público. Afinal de contas, se você gosta de viver no lixo, não quer dizer que todo mundo tenha que viver. Fora que para vender um lugar para turismo (e é o turismo que traz dinheiro), é mais fácil que ele seja limpo e bonito, do que sujo e fedido.
É que nem a história da Coral que tá passando e pintando certas coisas em certas cidades. A idéia é transformar os ambientes, deixar tudo mais limpo e saudável. Afinal de contas, só uma pessoa com muita falta de percepção acha lindo as pichações que invadem a cidade (não estou falando de grafite, o grafite é lindo, estou falando de pichação!).
Outra, eu investiria em albergues, esquema colônia, vila, tipo o que você encontra em pensionatos, tudo comunitário. Eu sei que não me traria nenhum retorno financeiro, mas acho um absurdo ter gente morando na rua. Dormindo nas ruas. Aqui em Recife, vira e mexe a gente tropeça com alguém na calçada jogado. Ao menos um lugar pra dormir e comida pra comer as pessoas tem que ter. E afinal de contas, como você quer combater a violência e o crime se não dá condições básicas pro povo se erguer?
Chame-me de utópica, mas acho que as pessoas tem muito potencial para o bem se estiverem em contexto favorável. E a estrutura física básica é esse contexto favorável.
É o esquema de residência terapêutica. Casa, comida, material, ensino e vão aprender a se virar. Dar condições, ensinar a pesar.
E bem, martelando, sempre tive uma idéia radical e cara para diminuir a superpopulação das metrópoles: cidades planejadas, esquema Las Vegas, com estrutura básica planejada para populações estimadas de... sei lá, 20 mil pessoas.
Pega um espaço inabitado no interior do estado e que seja de terreno do estado (pelo amor de deus, nada de desapropriação! Chega de pagar indenização!), e insere o básico: moradias simples (2 quartos, 1 sala, 1 cozinha e 1 banheiro) com uma área no fundo do quintal para plantação (distribuição de sementes e adubos, please!), sistema de transporte (metrôs!) e estradas simples, esgoto, centro de coleta seletiva, centro de reciclagem, aterro sanitário, estação de tratamento de água, água encanada, eletricidade, escola publica de qualidade, hospital público de qualidade, maternidade, correios, justiça, poder legislativo, poder executivo, polícia, um grande mercado público e praças. Pronto. Incentivar o povo a voltar pro interior. Dar motivos pra voltar. Já dizia Luiz Gonzaga: “quando o verde dos teus olhos, se espalhar na plantação, eu te asseguro, não chore não, viu, que eu voltarei, viu, meu coração”. (...)"Espero a chuva cair de novo, Para eu voltar pro meu sertão".
O sertanejo ficaria no sertão se tivesse como ficar lá. Tendo onde morar, sementes, água e espaço pra plantar, pronto. Resolvido o problema. Se o povo começar a desvincular a capital de oportunidade e começar a ter oportunidade na sua terra, tudo fica mais fácil. Deixe eles se virarem. E garanto, por mais que todos os políticos não ajam efetivamente contra o problema da pobreza contando que assim possam conseguir mais eleitores por serem analfabetos e pobres, portanto mais suscetíveis a compra de votos, aquele que revolucionar o jeito de viver dessas pessoas com dinheiro público, não vai precisar gastar rios de dinheiro doado comprando votos. Burros são aqueles que acham que podem pra sempre cultivar o poder de forma indigna. O povo é pobre, sem instrução e grato. Acordem, meus filhos, é dando melhoria de vida que você ganha o coração e o voto deles. Será que até isso teremos que ensinar a vocês?