Só posso dar os meus parabéns ao José Padilha pelo filme INCRÍVEL que eu assisti hoje.
O "Tropa de Elite 2" conseguiu superar o primeiro em todos os aspectos, em especial na retratação da realidade nua e crua.
Às vezes eu fico pensando no motivo de nossa sociedade ser o que é e chego a uma única conclusão: não tem mais um problema central, tudo é ramo, tudo é galho, tudo é raiz.
Me deprime perceber que o problema é o ser humano. É a podridão que existe dentro de cada um de nós.
Sabe aqueles filmes nos quais Deus vem nos punir e alguém é o nosso salvador porque vê o potencial bom que existe em nós? Pois é, temos potencial para o bem, mas talvez em igual dimensão temos potencial para o mal e uma tendência muito maior a ele.
Sábios eram os ditos populares que externavam bem o que é a realidade do ser humano, como: "a medida do ter nunca enche". E você duvida?
Pois leia os jornais! Os deputados já estão pensando no reajuste dos salários... deles, é claro! Mas... só pra esclarecer uma dúvida, eles não ganham R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais)? Pois é!!!! Isso é o salário, fora os auxílios (rídiculos) que recebem, como o paletó, as passagens para ir para seu Estado de origem, etc (você ganha algum adicional para poder se vestir? eu não.).
A perfeição com a qual o filme demonstra a teia que se formou de corrupção neste país é de fazer chorar. Chorar MESMO. De decepção, tristeza, pena, compaixão, irritação, ódio, raiva, indignação. O retrato nu e cru do Rio de Janeiro na situação atual (quiçá do Brasil todo), onde das favelas estão saindo (ou morrendo) os traficantes, para serem ocupadas pela polícia, para como quase consequencia natural serem ocupadas pelos policiais milicianos, que assim como o Governo (e ai as figuras se confundem) combram impostos dos moradores. E, como o imposto pago ao Governo, é o imposto miliciano que sustenta o sistema... deles, é claro, sistema deles!
E se você se bitola na idéia: "Ah, mas no geral morador de morro não paga IR, dentro outros impostos, porque é trabalhador informal." pra não se dignar a fazer nada, faça um favor à sociedade e vá procurar o que fazer, de preferência sozinho numa ilha deserta cercada por tubarões pra você não fugir mais do show de humores bizarros de onde você saiu. Pois a próxima idéia é o que? Vamos vender o Brasil? Ou fuzilar os moradores de rua? Dá um tempo.
É por culpa deste tipo de brasileiro que estamos onde estamos e acredite, infelizmente, parece que o Brasil de hoje é feita de uma maioria quase absoluta de brasileiros anencéfalos.
Sim, mas estávamos no filme,dai percebe-se que a política é o foco de tudo, é o principal problema. A política é a mão que faz a máquina funcionar. Político precisa de voto, o medo funciona tão bem quanto a ganância para o controle das pessoas, o medo do dominado e a ganância do dominador. Eles se contentam com ter o poder do dinheiro e ser valorizador a ponto de negociador, não necessitam, necessariamente, se inflitrarem na política, porque os próprios, os que nasceram pra isso, os procurarão e se oferecerão para serem seus infiltrados. E pra quê melhor? No final, todos nós gostaríamos de enchê-los todos de porrada, como na cena mais empolgante do filme na qual você se regojiza na cadeira.
E se fosse pra ser justo, corrupção seria crime hediondo com condenação à pena de morte.