domingo, 30 de janeiro de 2011

LFV

O Que Dizer


— Luis Fernando Verissimo —

Dez coisas para dizer quando um visitante mal informado perguntar que buraco enorme é esse no chão. Jamais diga a verdade, que é para um metrô que só ficará pronto quando o Cristo Redentor perder a paciência, botar as mãos na cintura e ameaçar com intervenção. Ele não vai acreditar.

1— Foi um meteorito.
2 — Há insistentes rumores de guerra com a Argentina e o governo está construindo abrigos anti-aéreos para a população.
3 — Que buraco?
4 — Todas as ruas estão sendo rebaixadas para aumentar a altura dos prédios, que assim pagarão mais impostos.
5 — Está bem, está bem, mas e o problema dos negros nos Estados Unidos?
6 — Estão procurando restos de uma antiga civilização que viveu aqui, os Cariocas, gente de ótima disposição que desapareceu certo dia durante um engarrafamento de trânsito. Até agora só recuperaram uma camisa listrada, um reco-reco e um leque com a inscrição "Baile dos Batutas, 19 e ilegível". Pouco se sabe dos Cariocas (nome indígena que significa "não deixe para amanhã o que um paulista pode fazer por você hoje"). Foram descobertos por marinheiros holandeses que procuravam um caminho mais curto para o Bolero. Viviam das formas mais rudimentares de agricultura, plantando bananeira na avenida e atirando verde para colher maduro. Não deixaram descendentes. Outro dia correu o boato de que tinha aparecido um Carioca no Degrau, mas foram investigar e era só um gaúcho de brim desbotado, chiando muito. Mas as escavações continuam.
7 — Como vamos todos entrar pelo cano, estão instalando um bem grande.
8 — Você quer brigar?
9 — São as obras do novo aeroporto, e não faça mais perguntas.
10 — É para o metrô que só ficará pronto quando o... eu sabia que você não ia acreditar.

Cinco coisas para dizer quando seu filho menor chegar em casa e quiser saber o que é, pela ordem: contrato de risco, dívida externa e sexo.

1 — Vá dormir!
2 — Pergunte para a sua mãe.
3 — Pergunte para a sua mãe e depois venha me dizer.
4 — Contrato de risco é como se o papai mandasse você procurar minhocas no quintal e, como o quintal é do papai, você ficava com parte das minhocas e o papai com outra parte. Dívida externa é... como, que parte da minhoca? Tanto faz, 40 por cento da minhoca para você e 60 para mim.
Não, você não pode botar sua parte da minhoca no prato da sua irmã. Não sei como é que se descobre qual é a cabeça e qual é o rabo da minhoca, e não faz diferença. Está bem. Eu fico com os rabos. Esquece a minhoca!
Dívida externa é como a mamãe pedir dinheiro emprestado para o papai para pagar a loja, depois pedir dinheiro emprestado para a sua avó – e sem me dizer nada! — para pagar o papai e depois pedir dinheiro do papai para pagar a sua avó, e ainda gastando a minha gasolina no vai-e-vem!
Pode, pode botar sua parte das minhocas no prato da mamãe. Agora sexo é mais ou menos como contrato de risco e dívida externa, só que é fundamental saber onde fica tudo na minhoca. E vá dormir.
5 — Escuta aqui, com que turma você tem andado?

Retomando certos contatos...

Impressionante como a imprensa tem memória curta. Começamos o ano ainda falando da "pacificação" do morro do alemão e com os deslizamentos em Teresópolis, isso é notícia passada, e como a memória do brasileiro é a imprensa, lá se vem nosso alzeimer funcionando de novo.
Alguém lembra que nós tivemos esses mesmos problemas todos os anos anteriores e por todas as partes do Brasil?
Por incrível que pareça, o Ratinho emitiu uma opinião sensasional esses dias quando uma mulher estava culpando as autoridades por não fazer nada (ou não muito) para evitar essas catástrofes: "A culpa é da população também, vocês ficam jogando lixo nas ruas, ocupando áreas que sabem que não deveriam ocupar e depois reclamam quando dá errado."
Tá, não foram as melhores palavras, ditas da melhor forma num caso tão trágico, mas... ele tá certo!!!
Ninguém pára pra pensar que se você joga um plástico na rua, ele não vai se deteriorar tão cedo (entenda tão cedo como menos de 100 anos), logo, ele vai ficar por ai perambulando até encontrar um lugar, no geral, um bueiro, um rio, um canal e por ai vai.
Todo mundo sabe que não pode desmatar, porque além de todos os outros efeitos, as raízes das plantas sustentam o solo unido, se você tira a planta, o solo fica livre pra correr com a força da água e ai...? Deslizamentos.
Mas quem se importa? Precisamos morar em algum lugar, qualquer um. Precisamos construir móveis, com qualquer madeira. Carregar lixo é chato, joga no chão. Economizar água pra quê? Eu tô pagando.
E é pensando assim que vamos todos entrar por um belo e grotesco cano.

Heastelo

Seu comentário permanecerá aqui no dia que o seu blog existir e seus comentários passem a não ser mais anônimos. Até lá, o anonimato te impede de ter opinião. Foi mal. E obrigada novamente.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Grata....

pelas retificações anônimas do "heastelo".
Mas devo ''retificá-lo'' que sempre temos o direito constitucional de emitir opiniões e respostas, porém é vedado o anônimato... só pra matar a curiosidade ;p

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Entrando na esfera pessoal...

Ando com mais preguiça do que o normal de vir por aqui. Esse negócio de blog é complicado, pelo menos se você tem uma proposta... se você quer escrever qualquer porcaria o negócio é mais fácil.
Acho que por vezes escrever aqui é como escrever pra Gi... refletir sobre momentos vividos e sobre as minhas próprias opiniões. É meio dolorido.

Esses dias tem sido calmos, acho que a grande verdade é que eu aprendi a lidar comigo e relaxar.
As pessoas vem e vão e nós sempre estamos aqui, ainda que com cicatrizes, intactos.

Temos nos divertido muito, especialmente com a história de um cavalete que apareceu dentro de casa sem razão aparente. Ninguém trouxe pra dentro, ninguém recebeu no portão, ele simplesmente se materializou dentro de casa.

Ouvi também um argumento já batido vindo de uma pessoa nova... mas eu devo reconhecer que não dou espaço pra argumentos racionais em questões emocionais.

Amanhã vou fazer compras de natal... já que eu nunca pude ser natalina aqui, já está na hora....

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vamos lá, explicações sobre porque alguns serviços não vão pra frente.

Quando você monta um negócio é claro que você visa o lucro.
Dificilmente você se depara com uma figura emblemática que aceita trabalhar quantitativamente e qualitativamente sem retorno financeiro apropriado (Madre Tereza de Calcutá é só uma em 1 bilhão).
Porém, vamos entender o mistério da coisa: por mais que você lide com máquinas, quem solicita o trabalho é um outro ser humano, ainda que pra você ele seja virtual, então, é de se esperar que a máxima de "o cliente tem sempre razão" seja respeitada. Afinal de contas, se você monta um negócio e ninguém compra o seu produto/serviço você vai à falência, certo?
Então, nos deparamos com algumas situações corriqueiras quando na condição de clientes:
1- Quando você entra numa loja e vem 300 vendedores em cima de você, isso é assédio e dá cadeia (ahahaha). Mas agora falando sério, pára pra pensar: você, serelepe e saltitante, entra numa loja pra ver vitrine, única e exclusivamente porque não tem nada pra fazer, talvez até vá comprar algo, mas tem tanto vendedor te perseguindo pela loja que você desenvolve uma síndrome do pânico e resolve se mandar o mais rápido possível daquele lugar.
E ai o vendedor pensa: "Liso!" - e você pensa: "Chato!" - e nem você compra algo que talvez estivesse precisando ou apenas fosse necessidade do seu consumismo e nem o vendedor ganha a tão almejada comissão. Todos saem perdendo.
2- Também é um saco você entrar numa loja onde o vendedor finge que não te viu. "Opa, oláaaa, vamos trabalhar?". Só pela falta de coragem do vendedor você enche o saco e se manda.
3- E tem aquela loja onde o vendedor te olha da cabeça aos pés e pensa: "Pobretão." - e ai você compra na mão de outro vendedor da mesma loja ou da concorrência só pra dar o troco: "Otário."
Nada disso é o ideal. O ideal é você saber que tem vendedor, que ele te viu, está a sua disposição, mas que você está livre pra xeretar o quanto quiser. Certas lojas ainda não aprenderam isso. Vendedor disponível demais também é chato!!!

A verdade é que o atendimento é a alma do negócio.

Eu tava aqui ligando pra uns hotéis em Natal e é impressionante como não faz diferença se o hotel é o mais caro ou o mais barato, o treinamento do funcionário é o que importa. Um dos que tem uma das diárias mais cara é o que tem o melhor atendimento. Porém, O que tem a diária mais cara o atendimento é um lixo.
Pelo amor de Deus, meu filho, eu pago e você recebe e vive disso, aprendar a vender seu peixe!!!

domingo, 28 de novembro de 2010

São Paulo

Aaaaaaah, São Paulo.
Não vou mentir, a cidade é muito legal!!!
E viva. E pulsante. E louca.
É aquela cidade que dá a sensação de que você pode ser perder... e a qualquer momento.
Acredite, se você é capaz de sentir tédio lá, tá pronto pra se matar, pode morrer.
Você abre o jornal e tem 50 opções de filmes em 30 cinemas diferentes. Peças de teatro, parques, museus, e mais o que você não pode imaginar.
A gente foi pra ver o show do Paul (que foi ótimo, por sinal) e ficamos no Morumbi. Bairro chique, ru-rú. Longe de tudo. Mas deveras legal.
O sistema de transporte urbano... bem, o negócio de ônibus é o mesmo em todo lugar, o problema é a espera. Mas em São Paulo ainda tem o volume de gente e o trânsito. E que trânsito INFERNAL!
Metrô é o canal. Você roda a cidade inteira por debaixo da terra (e às vezes não) com um custo bem baixo.
Enfim, superado o transporte urbano, ainda tem o intermunicipal. Ok, as estradas são boas, mas tem pedágio até dizer chega. Tomar no cu! Isso é responsabilidade do Governo, a gente paga imposto pra cacete e ainda tem que pagar taxa? Paulista é besta mesmo.
Enfim, mas a Capital é uma cidade que parece um ninho, gente pra todo lugar. Emaranhado. E não tem como você não pegar o ritmo frenético daquele lugar. É INSANO!
Mas ai vem os problemas de cidade grande (neste caso gigante): muita gente morando na rua, tensão, pichação, poluição, violência.
Devo admitir que não vi uma cena de violência, então não vamos falar do que não vimos, mas o resto... Deus do céu!
Quanto aos moradores de rua, acho que tem mais morador de rua do que morador de casa.
Quanto à poluição, sonora até que dá pra aturar, e é uma cidade relativamente suja (sujeira urbana mesmo), mas quando se fala em pichação e rio sujo... bem, não tem quem vença.
O Tietê, até o Sir Paul registrou, é IMUNDO!!!!!!
É um negócio preto, negro, cheio de lixo, garrafas, latas e todo o tipo de dejetos que você puder imaginar (faça um favor a si mesmo... não imagine!), com valas jogando mais esgoto o tempo todo.
E se aqui nós temos os águapés pra identificar o nível de poluição do rio, no Sudeste nós temos as Capivaras. E ow bicho pra gostar de sujeira (Lagoa da Pampulha que o diga)!
O Tietê é o tipo de rio que você não imagina nem no seu pior pesadelo.
Saindo disso, a população é bem prestativa, não tem problema em ajudar, são céleres, mas bem individualistas, cada um com seu fone e que se foda o resto.
Sinceramente? Eu gostei da cidade. Tem problema de cidade grande, mas aí é porque é cidade grande... não são problemas tão difíceis de contornar (se não fosse no Brasil), mas muito legal. E rendeu amigos... não de SP, mas amigos ainda sim.
Mas me restou uma pergunta a fazer: vocês tem certeza que esta é uma das cidades que vocês querem apresentar pro mundo na Copa?
Se for, tá na hora de maquiar o negócio.